Fabaceae

Macrolobium duckeanum R.S.Cowan

Como citar:

Eduardo Fernandez; Marta Moraes. 2020. Macrolobium duckeanum (Fabaceae). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

LC

EOO:

695.690,40 Km2

AOO:

52,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Espécie endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019), com ocorrência nos estados do AMAPÁ, município de Porto Grande (Cid Ferreira 11682); AMAZONAS, município de Manaus (Campos 1401), Presidente Figueiredo (Cid Ferreira 8197); PARÁ, municípios de Igarapé-Miri (Rocha s.n.), Moju (Lobato s.n.), São Félix do Xingu (Ducke 15605) Tucuruí (Plowman s.n.); RORAIMA, município de Caracaraí (Barbosa 159).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2020
Avaliador: Eduardo Fernandez
Revisor: Marta Moraes
Categoria: LC
Justificativa:

Árvore de até 7 m, endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019). Foi documentada em Floresta de Floresta Ciliar ou Galeria e Campinarana associadas a Amazônia nos estados do Amapá, Amazonas, Pará e Roraima. Apresenta distribuição ampla, EOO=561987 km² e ocorrência confirmada dentro dos limites de Unidades de Conservação de proteção integral e em áreas onde ainda predominam na paisagem extensões significativas de ecossistemas florestais em estado prístino de conservação. A espécie ocorre aparentemente de forma ocasional na maior parte das localidades em que foi registrada, a maior parte ainda pouco inventariada, conforme análise das coleções revela. Não existem dados sobre tendências populacionais que atestem para potenciais reduções no número de indivíduos maduros, além de não serem descritos usos potenciais ou efetivos que comprometam sua sobrevivência na natureza. Assim, M. duckeanum foi considerada de Menor Preocupação (LC) neste momento, demandando ações de pesquisa (distribuição, tendências e tamanho populacional) a fim de se ampliar o conhecimento disponível e garantir sua conservação no futuro ante a ampliação dos vetores de stress severos que incidem na Amazônia brasileira (Charity et al., 2016; Fernside e Graça, 2006; Nepstad et al., 2006; Nogueira et al., 2007).

Último avistamento: 2016
Quantidade de locations: 8
Possivelmente extinta? Não
Severamente fragmentada? Não

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Espécie descrita em: Mem. New York Bot. Gard. 8: 317 (1953).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Desconhecido
Detalhes: Não é conhecido o valor econômico da espécie.

População:

Detalhes: Não existem dados sobre a população. É ocasional a frequência dos indivíduos na população global (Jorge Costa com. pess.)

Ecologia:

Forma de vida: bush, small tree
Biomas: Amazônia
Vegetação: Campinarana, Floresta Ciliar e/ou de Galeria
Fitofisionomia: Floresta Ombrófila Densa Submontana
Habitats: 1.6 Subtropical/Tropical Moist Lowland Forest
Detalhes: Arbusto ou árvore com até 7 m de altura (Cid Ferreira 8197), que habita a Amazônia em Campinarana e Floresta Ciliar ou Galeria. Parece ter preferência por áreas abertas em lajedos de arenito e campina (Jorge Costa com. pess.).

Ameaças (8):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 1.1 Housing & urban areas locality,habitat past,present,future regional high
Com uma alta densidade demográfica (41 hab./ha), na zona Norte de Manaus o crescimento populacional tem sido o principal responsável pela degradação ambiental que a mesma vem sofrendo. A construção de conjuntos habitacionais pelo poder público e privado é um dos principais responsáveis pelo desmatamento verificado nos últimos 18 anos. Essa expansão urbana é um vetor de pressão sobre a Reserva Florestal Adolpho Ducke, devido o surgimento cada vez mais intenso de ocupações irregulares em seu em torno (Nogueira et al., 2007).
Referências:
  1. Nogueira, A.C.F., Sanson, F., Pessoa, K., 2007. A expansão urbana e demográfica da cidade de Manaus e seus impactos ambientais. Anais do Xlll Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Florianópolis, Brasil, INPE p.5427-5434.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 4.1 Roads & railroads habitat past,present,future regional high
Pfaff (1999), em estudo econométrico a nível municipal conduzido na Amazônia brasileira entre 1978–1988, indica que as estradas são um importante fator de desmatamento em toda a Amazônia. Pfaff et al. (2007) apontam ainda o impacto severo da abertura de estradas na Amazônia, que leva invariavelmente a mais desmatamento, não só nos municípios e povoados por onde passam, mas também em setores vizinhos, através do efeito de “transbordamento” (spillover effect). Além disso, o efeito de borda criado pela presença de uma estrada tem forte influência no uso de água pela floresta (Kunert et al., 2015). A construção de uma estrada induz a mortalidade de árvores na borda da floresta devido a danos mecânicos, alteração do microclima, suscetibilidade ao estresse hídrico de árvores que crescem adjacentes à estrada, o que tem provocado mudanças na composição de espécies arbóreas (clímax são substituídas por secundárias) e aumentado a fragmentação (Kunert et al., 2015). O município de Caracaraí é atravessado pelas rodovias BR-174 e BR210 (Nova Petrolina-Vila Novo Paraíso) que cruzam com a BR-432 (Vila Novo Paraíso-Boa Viata). Ao longo destas rodovias podem ser observados longos trechos de desmatamento (Lapig, 2018)
Referências:
  1. Pfaff, A.S.P., 1999. What drives deforestation in the Brazilian Amazon? Evidence from satellite and socioeconomic data. J. Environ. Econ. Manage. 37, 26–43.
  2. Pfaff, A., Robalino, J., Walker, R., Aldrich, S., Caldas, M., Reis, E., Perz, S., Bohrer, C., Arima, E., Laurance, W., Kirby, K., 2007. Road investments, spatial intensification and deforestation in the Brazilian Amazon. J. Reg. Sci. 47, 109–123.
  3. Kunert, N., Aparecido, L.M.T., Higuchi, N., Santos, J. dos, Trumbore, S., 2015. Higher tree transpiration due to road-associated edge effects in a tropical moist lowland forest. Agric. For. Meteorol. 213, 183–192.
  4. Lapig, 2018. http://maps.Lapig.iesa.ufg.br/Lapig.html (acesso em 17 de julho 2018).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 3.2 Mining & quarrying locality,habitat past,present,future regional high
No município Presidente Figueiredo encontra-se uma importante jazida mineral de cassiterita localizada na sub-bacia do rio Pitinga. Considerada a maior jazida de cassiterita do mundo é explorada desde 1981 pela Mineração Taboca, do Grupo Paranapanema, de onde provém a maior parte da arrecadação de tributos do município. Esta mineração possui uma área de concessão de 122.000 ha, dos quais 5 a 6% são explorados com lavra ou infra-estrutura, em 1995 está área era de aproximadamente 7.728 ha, não considerando o reservatório da UHE Pitinga (ICMBio, 1997).
Referências:
  1. ICMBio, 1997. Plano de Manejo Fase I Reserva Biológica Uatumã. http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/docs-planos-de-manejo/rebio_uatuma_pm.pdf. (Acesso em 15 de junho 2018).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.3 Livestock farming & ranching locality,habitat past,present,future regional high
No município de Presidente Figueiredo a pecuária encontra-se em desenvolvimento, com perspectivas de aumento futuro, particularmente a criação de bovinos. A área ocupada pela agropecuária situa-se ao longo das estradas BR-174, AM240, onde estão implantadas diversas fazendas e com uma predominância de pastagens, e ao longo das vicinais, onde se pratica predominantemente atividades agrícolas (ICMBio, 1997). O município de Moju com 90411 ha tem 18% de seu território (163266 ha) convertidos em pastagem (Lapig, 2018). O município de São Félix do Xingu (PA) com 8421282 tem 1335163 (16%) de seu território convertidos em pastagem (Lapig, 2018).
Referências:
  1. ICMBio, 1997. Plano de Manejo Fase I Reserva Biológica Uatumã. http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/docs-planos-de-manejo/rebio_uatuma_pm.pdf. (Acesso em 15 de junho 2018).
  2. Lapig, 2018. http://maps.Lapig.iesa.ufg.br/Lapig.html (acesso em 5 de novembro 2018).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 5.3 Logging & wood harvesting habitat past,present,future regional high
O município de Tucuruí encontra-se lado a lado a região de expansão do Arco do Desmatamento; apesar de possuir cerca de 50.000 km2 de Unidades de Conservação de diferentes graus de proteção, apresenta grandes taxas de desmatamento, com remanescentes de vegetação nativa estimado em menos da metade do tamanho original (Lapig, 2018). Caracaraí, com 127,04 km2, é o segundo município de Roraima com os maiores incrementos de desmatamento (PRODES/ INPE, 2018). O desmatamento para a exploração madeireira e ampliação de pastagens é uma ameaça iminente aos sistemas florestais da região e entorno do Parque Nacional do Viruá. Os desmatamentos no Estado incidem principalmente sobre Florestas Ombrófilas e ecótones florestais, a uma taxa média de 277 km2/ano. A marca histórica de 574 km2 de florestas desmatadas em 2007/2008 fez de Roraima o Estado com o segundo maior crescimento nos índices de desmatamento na Amazônia Legal neste período (ICMBio, 2014).
Referências:
  1. Lapig, 2018. http://maps.Lapig.iesa.ufg.br/Lapig.html (acesso em 5 de novembro 2018).
  2. PRODES/ INPE, 2018. Incremento anual de área desmatada na Amazônia Legal Brasileira para os últimos 5 anos. INPE/OBT/DPI/TerraBrasilis, disponível em: http://www.obt.inpe.br/prodes, acessado em 03/07/2018.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 7.2.10 Large dams locality,habitat,mature individuals past,present,future regional high
O município de Tucuruí (PA) abriga a Usina Hidroelétrica de Tucuruí, que inundou grande extensão territorial e vastas áreas de florestas, além de promover indiretamente o desenrolar de diversos conflitos sócio-ambientais; cerca de 2.430 km², foram parcialmente inundados territórios dos municípios de Tucuruí, Jacundá, Nova Ipixuna e Breu Branco. Na área territorial desses municípios submergiram cerca de 13 povoados ribeirinhos e a cidade de Jacundá, induzindo ao deslocamento compulsório de cerca de 30 mil habitantes das margens do rio Tocantins (Rocha e Gomes, 2002).
Referências:
  1. Rocha, G. de M., Gomes, C. B., 2002. A construção da usina hidrelétrica e as transformações espaciais na região de Tucuruí. In: Trinmdade Jr., S.C; Rocha, G. M (Org.) Cidade e Empresa na Amazônia. Gestão do Território e Desenvolvimento Local. Belém: Ed: Pakatatu. pp. 309
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 7.1 Fire & fire suppression habitat past,present,future regional high
O uso do fogo para a instalação e manejo de pastagens e lavouras é uma prática comum na região, que traz enormes riscos para os ecossistemas de Roraima. Dentre os estabelecimentos agropecuários recenseados nestes municípios em 2006, apenas 4% em Caracaraí e 12% em Rorainópolis utilizavam métodos de preparo para o plantio como a aração e gradagem. Os incêndios florestais na região do Parque Nacional do Viruá são originados principalmente por ação de moradores que fazem uso do fogo para a limpeza de áreas desmatadas, e para o manejo de culturas agrícolas e pastagens. Além disso, o interesse sinalizado pelo setor de energia para a instalação de hidrelétrica na calha do rio Branco representa uma das ameaças mais alarmantes para a conservação do imenso patrimônio natural das zonas úmidas do Estado (ICMBio, 2014).
Referências:
  1. ICMBio, Instituto Chico Mendes da Conservação da Biodiversidade, 2014. Plano de manejo do Parque Nacional do Viruá. Brasília. 626 p.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 2.3 Livestock farming & ranching habitat past,present,future regional high
A floresta amazônica perdeu 17% de sua cobertura florestal original, 4,7% somente entre 2000 e 2013, principalmente devido à atividades oriundas da agroindústria, pecuária extensiva, infraestrutura rodoviárias e hidrelétricas, mineração e exploração madeireira (Charity et al., 2016). O aumento do desmatamento entre 2002-2004 foi, principalmente, resultado do crescimento do rebanho bovino, que cresceu 11% ao ano de 1997 até o nível de 33 milhões em 2004, incluindo apenas aqueles municípios da Amazônia com florestas de dossel fechado compreendendo pelo menos 50% de sua vegetação nativa (Nepstad et al., 2006). Segundo Nepstad et al. (2006) a indústria pecuária da Amazônia, responsável por mais de dois terços do desmatamento anual, esteve temporariamente fora do mercado internacional devido a presença de febre aftosa na região. Contudo, o status de livre de febre aftosa conferido a uma grande região florestal (1,5 milhão de km²) no sul da Amazônia seja, talvez, a mudança mais importante que fortaleceu o papel dos mercados na promoção da expansão da indústria pecuária na Amazônia (Nepstad et al., 2006).
Referências:
  1. Nepstad, D.C., Stickler, C.M., Almeida, O.T., 2006. Globalization of the Amazon soy and beef industries: opportunities for conservation. Conserv. Biol. 20, 1595–1603.
  2. Charity, S., Dudley, N., Oliveira, D. and Stolton, S. (editors), 2016. Living Amazon Report 2016: A regional approach to conservation in the Amazon. WWF Living Amazon Initiative, Brasília and Quito.

Ações de conservação (2):

Ação Situação
1.1 Site/area protection needed
A espécie ocorre em territórios que possivelmente serão contemplados por Planos de Ação Nacional (PANs) Territoriais, no âmbito do projeto GEF pró-espécies: todos contra a extinção: Território Manaus - TER4
Ação Situação
1 Land/water protection on going
A espécie foi coletada na Reserva Biológica Do Uatumã, Área De Proteção Ambiental Margem Esquerda Do Rio Negro-Setor Tarumã Açu-Tarumã Mirima, Área De Proteção Ambiental Do Lago De Tucurui

Ações de conservação (1):

Uso Proveniência Recurso
17. Unknown
Apesar de não haver informações disponíveis na literatura sobre esta espécie, é possível verificar que outras espécies do gênero tem sua madeira utilizada na confecção de cabos de ferramentas, construção de cercas, carpintaria, pequenas obras internas e externas e na medicinal popular, o que torna necessário investigações mais detalhadas em M. brevense para uma confirmação (Jorge Costa com. pess.).